... que se faz nobreza na alma, que solenemente reconheço a essência das minhas paredes, a cor da minha luz e se assumem todos os defeitos como feitios, sem julgamento.
Silêncio... para respeitar a lagrima que nasce para sarar, como um suspiro antes do descanso.
Silêncio... que vai começar um nova sinfonia, entoam-se hinos à vida com a voz timida dos passaros da madrugada. E um exército de confiança marcha leve e alegremente, sem ruido, no fundo da estrada aberta.
Silêncio... que a vida desenrola-se e merece ser sentida e valorizada.
Novos murmúrios ecoam como ecoam as luzes ao descer no fim do dia
Trazem serenidade, lembrança e saudade, trazem também alento e desalento
As imagens passam ao lado e por vezes entre-olham-se e compõem-se
Outras vezes nem se cruzam, mas sabem ser perfeitas em cada face sua
E a vida escorrega no desaparecer das cores, na noite imensa que cai
Na solidão de horas sem luz, num resguardo apetecido e ceifante
A vida passa sem dores, sem cores, nem suspiros, nem amor, sem sabor
Os olhos cheios de segredos e de sonhos continuam fortes na face enrugada
A lagrima que só espreita, sem cor nem sabor, e faz abrir as narinas
O tempo que se esvai apertando a garganta e abrindo o peito
Saudades da vida que corre e que traz e leva a própria vida
Felicidade de ter provado, de ter sonhado, de ter conhecido o quadro
Sem nunca o ter realmente sentido ou pintado... nem esquecido
Sobreviveu… acabou! No campo de batalha, duma guerra onde até já nem os dias eram contados, entre as brumas de uma nova madrugada cinzenta e fria até aos ossos. Sem sentir o sangue que escorre num fio, feito rio, no leito das temporas, ignorando as mãos doridas de tantos golpes de espada, os olhos vagueiam sem pensar, nem ver, os cadaveres que jazem escuros no chão. Com uma resistência, que se apaga, levanta ligeiramente a cabeça e percebe a bruma que se passeia como a penar, como nuvens que desceram para transladar… Em silêncio, nem o vento geme! Em silêncio, vindas da fome e da guerra, lágrimas secas enchem o seu olhar…
Sobreviveu… acabou! Recorda os adversários derrotados, a vitória sabe-lhe a fel! Perdeu tanto que nem se lembra do que ganhou! Do que ganharam todos aqueles que perderam também a vida. Mas sabe que no meio das trevas a luz cega e que pela luz se desce e se atravessam as trevas… Tão cansado que nem tem força para pousar a espada! A vida parece-lhe vazia, inocupada, fria. A vida são as cinzas das casas onde se lutou, das casas onde se cresceu, das casas onde se amou. As cinzas são férteis para o terreno. As cinzas são infinitamente tristes e o seu peito molha-se de lágrimas não choradas...
Acabou, ... acreditava que chegaria ao fim vitorioso e exausto, mas nem percebe como afinal sobreviveu! Acabou... não tarda começa um novo dia, aparentemente apenas mais um dia, mas desta vez tão totalmente novo!
ao som de Adagio for Strings,OP.11 de Samuel Barber
às vezes me apetece, por instantes, fechar as asas apetece... e no teu colo descansar! Que às vezes uma mão me afaste os cabelos da face enquanto luto contra ventos e marés, apetece! Que às vezes sinta o olhar amigo que dou, apetece... e a voz calada de um abraço sem promessas, que só existe ali para se dar... apetece!